Sou um dos fundadores do Maracatu Aroeira, coletivo cultural criado em 2012 junto com amigos e amigas a partir do desejo de continuar estudando e vivenciando o Maracatu de Baque Virado em Curitiba. Meu primeiro contato com essa manifestação aconteceu por meio do Maracatu Itá, há cerca de 15 anos, quando participei de uma oficina e tive a oportunidade de aprender a tocar instrumentos pela primeira vez. Quando o grupo encerrou suas atividades, parte das pessoas que compartilhavam esse desejo de continuar aprendendo se reuniu para construir o que hoje é o Aroeira.
Desde então, o Aroeira se tornou muito mais do que um grupo percussivo. Somos um coletivo horizontal que pesquisa, estuda e fomenta o Maracatu de Baque Virado, manifestação da cultura popular afro-brasileira com origem em Pernambuco, por meio de oficinas, apresentações, vivências, intercâmbios culturais e intervenções na cidade.
Ao longo desses 14 anos, centenas de pessoas passaram pelas nossas atividades e oficinas. Todos os anos buscamos aprender diretamente com mestres, batuqueiros e integrantes das Nações de Maracatu tradicionais de Pernambuco, reconhecendo que é dessas comunidades que vem o conhecimento que estudamos e compartilhamos. Também realizamos intercâmbios durante o ciclo carnavalesco pernambucano, vivenciando de perto os territórios, comunidades e Nações que mantêm viva essa tradição.​​​​​​​
Entre as atividades que construímos coletivamente estão as oficinas regulares de Maracatu para iniciantes, o Tradicional Arrasto de Maracatu da Rua XV de Novembro, realizado desde 2012, a manutenção do Casarão Aroeira como espaço de articulação cultural, a realização de intercâmbios com mestres e Nações de Pernambuco, além de apresentações e atividades culturais em Curitiba e outras cidades.
O Aroeira também sempre buscou ser um espaço de acolhimento, respeito e celebração da diversidade. Desenvolvemos políticas de ações afirmativas, atividades em bairros periféricos e parcerias com movimentos sociais, escolas, quilombos, ocupações e outros coletivos culturais. Em 2024, participamos pela primeira vez do desfile oficial do Carnaval de Curitiba com o projeto “Da Rua XV à Avenida: 25 anos de histórias e batuques”, celebrando a trajetória do Maracatu na cidade e dos grupos que ajudaram a construí-la.
Dentro do Aroeira, além de ajudar na construção e organização do coletivo desde sua fundação, hoje sou uma das referências do caixa, instrumento fundamental na condução da percussão do Maracatu de Baque Virado. Participo da formação de novos caixeiros, compartilhando aquilo que aprendi ao longo desses anos e, ao mesmo tempo, continuando a aprender com as pessoas e com as experiências que o próprio coletivo proporciona.​​​​​​​
Construir o Aroeira me ensinou, na prática, o que significa criar algo coletivamente. Aprendi sobre trabalho em equipe, comunicação, escuta, diversidade, adaptação, responsabilidade e criatividade diante das nossas limitações. Aprendi também que ensinar e aprender podem acontecer ao mesmo tempo, especialmente em um coletivo onde o conhecimento é construído e compartilhado entre muitas pessoas.
Tenho muito orgulho de fazer parte dessa história. O Aroeira me proporcionou experiências que eu jamais imaginei viver, me apresentou pessoas que se tornaram amigos para a vida e transformou profundamente minha forma de enxergar o mundo e as relações coletivas. Depois de tantos anos, continuo estudando, tocando, ensinando e aprendendo. E talvez seja justamente isso que mais me orgulha: ajudar a construir, junto com tantas outras pessoas, um espaço que permanece vivo, se transforma, aprende com seus erros e continua compartilhando conhecimento e cultura com a cidade.

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